Resenha: O processo – Franz Kafka

O Processo – Franz Kafka

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Caracteristicas:

Livro: O processo

Autor: Franz Kafka

Paginas: 272

Editora: Companhia de Bolso

ISBN: 978-85-359-0743-8

Sinopse: O Processo (1925), publicado postumamente, conta a história do bancário Joseph K., que, por razões que nunca chega a descobrir, é preso, julgado e condenado por um misterioso tribunal. Nesse romance, a ambigüidade onírica do peculiar universo kafkiano e as situações do absurdo existencial chegam a limites suspeitados. A Ação desenvolve-se num clima de sonhos e pesadelos misturados a fotos corriqueiros, que compõem uma trama em que a irrealidade beira a loucura. (SKOOB)

Olá pessoal,

Como vocês estão? Hoje eu vou comentar sobre o livro O Processo – Franz Kafka, vocês sabem que eu participo do SKOOB – Clube do Livro, né? Então, mês passado conversando com os administradores e alguns participantes surgiu a idéia do Projeto Lendo Clássicos, como a lista ficou muito grande, foi realizado um sorteio e assim começamos as discussões com o livro O processo de Franz Kafka.  As discussões foram proveitosas e especialmente enriquecedoras e que sem dúvida enaltecem o conhecimento. 

Foi a primeira vez que li um livro de Franz Kafka e posso dizer que estou profundamente grata por ter escolhido o Processo para leitura juntamente com meus colegas do grupo.

Sobre Franz Kafka um breve resumo: Franz Kafka, ele nasceu em 3 de julho de 1883, na cidade de Praga, Boêmia (chamada hoje de República Tcheca), era o filho mais velho de Hermann Kafka, comerciante judeu e de sua esposa, Julie. Kafka se formou em Direito em 1906, ficou noivo duas vezes da mesma mulher, Felice Bauer, no entanto jamais se casou. Kafka aos 37 anos de idade, sofreu a primeira hemoptise de uma tuberculose que iria matá-lo sete anos mais tarde. Ele trabalhou como advogado, a principio na companhia particular Assicurazioni Generalli e depois no semiestatal Instituto de Seguros contra Acidentes do Trabalho. Alternou os trabalhos burocráticos com a escrita e suas temporadas em sanatórios. No fim da vida pediu ao amigo Max Brod que queimasse os seus escritos, o que não foi atendido. Após sua morte foi publicado seus contos, novelas, romances, cartas e diários, todos escritos em alemão.

O Processo inicia com a seguinte frase: “Alguém certamente havia caluniado Josef K., pois uma manhã ele foi detido sem ter feito mal algum.” é nesse enlace que inicia a história de K. um procurador do banco que acorda com dois homens em seu quarto sem dizer uma palavra do que se trata aquela situação, K. deveria apenas esperar para ser atendido pelo inspetor de polícia. K. sem entender muito do que está acontecendo toma uma atitude e entra no quarto da Sra Bürstner e o que encontra o deixa intrigado, nada além do inspetor sentado em uma mesa. É nesse momento que ele percebe que está no meio de uma investigação e ele é o detento. 

Assim, o personagem principal é conduzido para tomar partido de sua própria situação que fica totalmente desfavorável à medida que situações, ora desagradáveis, ora hilárias, vão surgindo. Alguns personagens indistintos, vão aparecendo como os dois funcionários subalternos do banco e que se fazem presentes no enredo e que deixam K. aterrorizado. E outros talvez tão importantes quanto seu tio, sua prima, o advogado, o promotor e o Sacerdote. E mais outros como o pintor, o industrial, a Leni, Sra Bürstner, a cozinheira, entre outros, não menos importantes e que para a surpresa de Josep K sabem do processo. 

“Então é isso – brandou K. lançando os braços para o alto, o súbito reconhecimento queria espaço – todos vocês são funcionários; pelo que estou vendo, são vocês o bando corrupto contra o qual estou vendo, vocês  se reuniram aqui como ouvintes e espias, formaram partidos de fachada, um dos quais aplaudiu para me testar; vocês queriam aprender como se deve enganar um inocente! Bem, espero que não tenham estado inutilmente aqui: ou conversaram sobre alguém que esperava de vocês a defesa da inocência ou então – deixe-me em paz, senão eu bato!”

Neste discurso K. estava nitidamente nervoso com a situação ocasionada pelo 1º inquérito ao Juiz de Instrução e demais estudantes numa assembleia. Ele usou de malícia e perspicácia para ser ouvido. Conforme a leitura vai se desenvolvendo percebemos que O Processo de K. está prosseguindo rapidamente e o mesmo tem que tomar a responsabilidade para si, porém K. vai sofrendo uma pressão psicológica e mental muito fastigante e deixando o leitor mais embasbacado e tão fatigado quanto K. 

“Certamente K. já concluiu, a partir das suas próprias experiências, que o nível inferior da organização do tribunal não é perfeito, tem funcionários relapsos e subornáveis, motivo pelo qual a severa vedação do tribunal de certo modo apresenta falhas.” (118)

O livro faz uma profunda reflexão sobre as leis, os juristas e todo o corpo jurídico do processo. Com argumentos explicitamente claros K. demonstra que vai lutar até o final para conhecer o processo e qual o teor dele. Pela curiosidade que temos na leitura somos instigados a continuar, mesmo quando a história te leva a perceber que você esta caminhando para lugar nenhum. Percebemos que K. sofre os traumas deixados pelo processo e pela conduta dos personagens ligados ao sistema jurídico.

“Os procedimentos nas cortes é em geral secreto até para os funcionários inferiores, dai não poderem quase nunca acompanhar plenamente a evolução posterior dos casos em que trabalham; a causa judicial surge no seu campo de visão sem que saibam de onde vem e prossegue sem que eles fiquem sabendo para onde. Portanto, o ensinamento que se pode extrair do estudo das fases isoladas do processo, da decisão final é dos seus fundamentos, escapa a esses funcionários.” (120)

Na minha opinião O Processo é bastante reflexivo e apesar de Kafka não ter acabado a história e infelizmente deixado alguns capítulos inacabados, o leitor sofre juntamente com K. as inconsistências do sistema  policial e Jurídico. Algumas perguntas ficaram para trás na minha cabeça. Kafka apesar de todos os seus problemas ao escrever o livro deixou um exemplar digno de honra, uma fonte de conhecimento impressionante, por incrível que pareça você percebe que alguns trechos nos remete aos dias de hoje.

“A Paciência com que, através dos anos, atura os pedidos do homem, pequenos interrogatórios, a aceitação dos presentes, a distinção com que permite que o homem ao seu lado amaldiçoe o acaso infeliz que colocou ali o porteiro – tudo isto faz concluir que há impulsos de compaixão.” (217) 

Estou grata por ter lido este livro, foi o primeiro e quero ler outros livros de Kafka para poder comparar e entender um pouco os diversos conflitos que o autor sofreu durante escrevia seus livros. Eu fiquei realmente instigada a continuar lendo os livros de Kafka, alguns podem achar desinteressante pelo fato  de certos capítulos não desenvolverem da forma que gostaríamos, vale ressaltar que houve realmente capítulos em O Processo que ficaram inacabados. Porém não podemos deixar que isso nos impeça de continuar, existe uma gama de conhecimento que pode até parecer exaustivo à princípio, mais que para mim,  não foi, a minha curiosidade foi bem maior com certeza. 

E quanto mais conhecimento melhor, acredito de verdade nisso! 

O processo, Kafka,  ao escrevê-lo sofreu influências de Dostoevski e há possíveis evidências nas relações entre o Processo e Crime e  Castigo. Eu achei interessantíssimo saber que tanto Raskolnokov e Josep K. se projetam psiquicamente no que diz respeito ao problema da culpa. Eu li Crime e Castigo e algumas vezes pensei na situação de Raskolnokov, mais nunca pensaria que haveria a influência citada. Foi uma surpresa! 

“Por que deveria querer alguma coisa de você? O tribunal não quer nada de você. Ele acolhe quando você vem e o deixa quando você vai.”(222)

Não estudei a fundo o livro, apenas li e busquei algumas informações para compreender o universo de Franz Kafta. E quero ressaltar que  meus colegas do grupo me ajudaram muito.


Bem interessante e atual essa citação explicativa do livro, não é mesmo? 

Adorei a leitura e convido você para comentar e se nunca leu um livro de Franz Kafka sugiro que leia.

Vale lembrar para quem estuda Direito, é um livro muito bom para discussão em grupo. 

Um livro instigante e extremamente inteligente com certeza. 

Um abraço 

Daniela Correa 

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4 comentários sobre “Resenha: O processo – Franz Kafka

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