Resenha: Meu Nome é Vermelho – Orhan Pamuk

 

Livro: Meu nome é Vermelho

Autor: Orhan Pamuk

Páginas: 536

Editora: Companhia das Letras

Sinopse: Meu nome é vermelho – Meu nome é Vermelho alia narrativa policial, uma história de amor proibida e reflexões sobre as culturas do Ocidente e do Oriente. A trama se passa em Istambul, no fim do século XVI. Para comemorar o primeiro milênio da Hégira (a fuga de Maomé para Meca), o sultão encomenda um livro para demonstrar a riqueza do Império Otomano. Para provar a superioridade do mundo islâmico, porém, as imagens devem ser feitas com técnicas de perspectiva da Itália renascentista. As intenções secretas do sultão logo dão margem a especulações, desencadeando uma onda de intrigas, e um dos artistas que trabalhava no livro é assasinado. Ao mesmo tempo, desenrola-se o caso de amor entre o Negro, que voltara a Istambul após doze anos de ausência, e a bela Shekure. Construída por dezenove narradores – entre eles um cachorro, um cadáver e o pigmento cuja cor dá nome ao livro -, a história surpreende pela exuberância estilística, que reflete o encontro de duas culturas. Skoob

Olá pessoal,

Hoje vou destacar o livro Meu nome é Vermelho – Orhan Pamuk, uma leitura singular, que me deixou extremamente pensativa. Sabe aqueles livros que te ensinam? Então, com o Meu nome é Vermelho aconteceu justamente isso.  Não foi uma mera leitura, Orhan deixou um rastro de ensinamento, por esse motivo li devagar e tentando explorar o máximo da leitura. Foi inevitável romper prazos de leituras, em alguns momentos eu tive a necessidade de explorar exclusivamente as entrelinhas, prescrutar cada parágrafo de alguns capítulos, lendo e relendo. Não consegui atingir a meta de leitura para o mês de fevereiro no desafio Literario Skoob 2016, acabei ultapassando para o mês de março, porém não me arrependo, perdi o sorteio do mês, mais ganhei muito mais persistindo na leitura do livro.

Bom, o livro inicia com um capítulo bem sugestivo “Eu sou um cadáver” com esse título para quem estava saturada de ler sobre cemitérios e mortes como eu, já foi por si só um desafio. Na minha opinião, ou você desiste de ler ou continua, eu continuei.

O que me chamou a atenção foi que a história inicia com um assassinato e quem conta é o próprio defunto, o Elegante Efêndi com detalhes riqueza de detalhes.  A história se passa em Istambul capital da Turquia, cada personagem conta sua história, sua versão da história. Destaco que um mesmo personagem conta duas versões, para deixar o leitor mais confundido, e curiosamente para que se restabeleça um vínculo para descobrir ou não o verdadeiro assassino. O Negro é o responsável por descobrir o assassino, porque ao longo da história você vai perceber, ocorrem outros assassinatos. E ele é inserido nesse contexto por amor a Shekure, seu amor proibido desde a infância e mais para tê-la em seus braços a desvendar o mistério propriamente.

“E se alguma coisa, numa história, cria uma dificuldade para nossa inteligência ou para nossa imaginação, a imagem vem nos socorrer: as imagens são a história  florescendo em cores, mas a pintura sem uma história que a acompanha é inimaginável.”

E nesse contexto se destaca profundas reflexões sobre as culturas do Oriente e Ocidente, a história da arte no século XVI. O Sultão deu autorização e incentivo para Tio Ofêndi, um dos grandes pintores de Istambul, toda a feitura do livro no qual demonstrasse por ocasião do ano mil do calendário muçulmano, que ele e seu império eram capazes de dominar as artes da Europa tão bem quanto os europeus e que ficasse pronto para o milenário da Hégia. Como os mestres pintores estavam ocupados com Livro das festividades do Grande Ateliê, ele permitiu que eles trabalhassem casa, com isso Oliva, Elegante, Borboleta e Cegonha Efêndi foram os escolhidos. É nesse círculo de mestres pintores e da arte antiga que desenvolve toda a história, cheia de significados, inveja, orgulho e vaidade refletida nos personagens que se dividem contando as estórias em prosa, poesia e contos da cultura do mundo hislamico.

E no desenvolvimento somos surpreendidos com capítulos inteiros de personagens inusitados, tais como: a árvore, o cavalo, o dinheiro, a morte, o Diabo, dois errantes, vermelho, o cão e a mulher. Todos contando sua estória e o seu papel de forma singular e especial. Destaco algumas notas que fiz no decorrer da leitura:

“A causa única da cartesia, das epidemias e derrotas militares está em que caímos sob a influência de deturpações do Islã e esquecemos o Islã do tempo do nosso Glorioso Profeta.” (Cão)

“Ao que parece, esses pintores deram para pintar os rostos dos reis, dos sarcedotes, dos senhores e até das mulheres destes, de tal maneira que quem vê o retrato possa reconheê-los na rua…”(Árvore)

“Vejam! Sou um escudo otomano, de ouro de vinte e dois quilates, arvorando emblemas de Sua Gloriosa Majestade, Protetor do Mundo.” (Dinheiro)

“E agora, esse pintor do meu retrato percorre sem descanso todas as noites as ruas desta cidade, atormentado por seus escrúpulos. Como certos mestres chineses, ele imagina ter se tornado aquilo que representou.(Morte)

“Na verdade, se vocês prestarem a devida atenção à graça do meu lombo, ao comprimento das minhas pernas, ao meu porte magnífico, logo perceberão que sou mesmo único.”(Cavalo)

A história é tão bem desenvolvida que o final fica claro os motivos que levou o assassino a matar suas vítimas, no tocante o destino do amor entre Negro e Shekure é determinado.

Como vocês podem perceber este livro é único, Orhan mereceu os prêmios que recebeu (Meu nome é Vermelho), o livro é realmente fascinante. Uma leitura que nos leva a reflexão sem dúvida!

Super recomendo a leitura!

Daniela Correa

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2 comentários sobre “Resenha: Meu Nome é Vermelho – Orhan Pamuk

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