Poesia – Carlos Drummond de Andrade 

 Concerto

O cravo, a cravinha, a violeta eram instrumentos de música ou eram flores?
Na terra úmida filtrava-se
não sei que melodia de câmara em múrmuro ostinato
e o jardim era uma sonata que não se sabia sonata. 

* * *

Olá Pessoal,

Toda semana estarei separando um momento para publicar poesia aqui no Blog. Eu escolhi para abrir esse nosso cantinho especial o consagrado e inesquecível autor “master” Carlos Drummond de Andrade.

* * *

O Poeta

Este, de sua vida e a sua cruz
uma canção eterna solta aos ares.
Luís de ouro vazando intensa luz
por sobre as ondas altas dos vocábulos. 

* * *

Quem nunca leu nem que seja uma estrofe de seus poemas? Quem nunca ouviu falar a respeito de Carlos Drummond de Andrade? Acredito que pouquíssimas pessoas possam dizer: “Eu”, não é mesmo? Então, para começarmos vou falar resumidamente sobre o célebre e inesquecível poeta brasileiro:

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, Minas Gerais em 1902. Viveu em Belo Horizonte no ano de 1921 onde teve seus primeiros trabalhos publicados no Diário de Minas. Nessa época conheceu Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Mário de Andrade foi seu orientador literário. Em 1927 trabalhou como redator e redator-chefe no jornal Diário de Minas. Seu primeiro Livro “Alguma Poesia” foi lançado dois anos depois. Em 1934 Drummond foi transferido para o Rio como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, Ministro da Educação e Saúde. Em 1940, veio a publicação de “Sentimento do Mundo”

Em 1950, Drummond publica obras importantes, tais como: Claro Enigma, Viola de Bolso, Fazendeiro do ar e Fala, amendoeira. O Autor recebeu prêmios importantes ao completar 80 anos, o título de doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e foi homenageado com exposições comemorativas na Biblioteca Nacional e na Fundação Casa Rui Barbosa.

O poeta deixou após sua morte, em 1987, obras inéditas: O Avesso das Coisas, Moça Deitada na Grama, Viola de Bolso III, o Amor Natural e Farewell, além de crônicas e correspondências.

* * *

Procura

Procurar sem notícias, nos lugares onde nunca passou; inquirir, gente não, porém textura, chamar à fala muros de nascença, os que não são nem sabem, elementos de uma composição estrangulada. 

Não renunciar, entre possíveis, feitos de cimento do impossível, e ao sol-menino opor à antiga busca, e de tal modo resolver a morte que ela caia em fragmentos, devolvendo seus intatos reféns – e aquele volte.

Venha igual a si mesmo, e ao tão-mudado, que o interroga, insinue a sigla de um armário cristalino, além do qual, pascendo beatitudes, os seres-bois completos, se transmitem, ou mugidoramente se abençoem. 

Depois, colóquios instantâneos liguem Amor, Conhecimento, como fora de espaço e tempo hão de ligar-se, e breves despedidas sem lenços e sem mãos restaurem – para outros – na esplanada o império do real, que não existe.

Carlos Drummond de Andrade

* * *

Um abraço

Daniela Corrêa

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6 comentários sobre “Poesia – Carlos Drummond de Andrade 

  1. talitacamargos disse:

    Só mesmo a arte para transcender a vida. Drummond morreu no ano que nasci e admiro-o demais, sempre estou as voltas com os versos dele. Orgulho de Minas, orgulho do Brasil. Boa estreia, Dani. Beijos!

    Curtido por 1 pessoa

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